Isaac Newton e Deus

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"A natureza era para ele um livro aberto, cujas letras ele podia ler sem esforço." Albert Einstein, sobre Newton.

"É claro para mim pela fonte que utilizo, mas não me comprometo a prová-lo para outros." Isaac Newton, numa carta a um amigo.

Fala-se de Isaac Newton como um dos poucos gênios efetivamento produzidos pela humanidade. Filho de fazendeiros do norte da Inglaterra, foi estudar em Cambridge ainda jovem; em 1665 as Universidades da Europa tiveram que fechar suas portas por causa da peste, e voltou então para a fazenda, com 22 anos, e permaneceu até os 24. Foi nesse período que sua atividade intelectual explodiu numa diversidade de descobertas e invenções.

No entanto Newton parecia não dar muita importância às suas descobertas, e muitas vezes as fazia apenas pelo gosto particular de estudar. Seus manuscritos perdiam-se sobre sua escrivaninha, e o mundo acadêmico apenas os conhecia por meio de perguntas indiretas, cartas pessoais ou conversas informais onde ele transparecia o resultado de suas pesquisas. Foi assim que se deu, por exemplo, com respeito à Lei da Gravitação Universal. Edmund Halley (o que deu o nome ao cometa), lhe questionou algo sobre a órbita dos planetas e Newton então lhe disse que as havia calculado, como se fosse algo de somenos importância. No entanto, o homem foi à Lua em 1969 graças a essa descoberta.

No início de 1670 sua atividade científica diminuiu bruscamente, mas sob o apelo de amigos seus, voltou e escreveu então o livro que até hoje é considerado a maior contribuição para a Ciência feita por um homem: Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, publicado em 1687. Neste livro Issac Newton descreveu e explicou a dispersão das luz em cores através de um prisma, extendendo à explicação do arco-íris, calculou a massa do Sol e da Lua, descreveu a interação entre os corpos por meio das forças, entre inúmeras outras descobertas.

E para quem ainda duvida de sua valiosa contribuição a si próprio, basta dizer que tudo o que o que é fruto da Ciência tal como a conhecemos cá no Ocidente, teve por precursor principal as idéias de Newton, influenciando desde as concepções atômicas e portanto a moderna Física Quântica, até a visão atual do Universo pela moderna astronomia. Como poderia um homem apenas fazer tanto pela humanidade? De onde ele tirava essas idéias todas? Não foi à toa que Albert Einstein disse sobre ele o que está no começo desta página:

"A natureza era para ele um livro aberto, cujas letras ele podia ler sem esforço."

E que misteriosa fonte poderia ter sido essa de onde disse ele tirar suas intuições?

"É claro para mim pela fonte que utilizo, mas não me comprometo a prová-lo para outros."

Não pretendo aqui dar nenhum "chute logicamente induzido" ou ficar a fazer conjecturas infundadas... No entanto somente nos enriquecerá a cultura se soubermos que Newton foi um homem de convicções religiosas bem claramente demonstradas ao público, e não seria espantoso imaginar que esta "fonte" pudesse ser algo que estivesse relacionado à essa sua fé.

Não foi à toa por exemplo, que Isaac Newton deu importantes contribuições ao desenvolvimento do Movimento Adventista iniciado em 1844. Em suma, este movimento surgiu de um grande concílio entre religiosos de várias denominações da época, que chegaram a conclusão de que a humanidade tal como a conhecemos chegaria ao termo de sua história em outubro daquele ano. Foi o que ficou conhecido desde então como "A Grande Decepção". Esta conclusão baseava-se numa interpretação de uma profecia que se encontra no livro do profeta Daniel, Antigo Testamento, capítulo 8, versículo 14 (para maiores informações, contate-nos). Acontece que Isaac Newton já havia estudado exatamente essa profecia tempos antes, em concordância com algumas outras profecias do livro do Apocalipse de São João, atribuindo valores temporais aos símbolos proféticos encontrados nesses livros.

Essa sua tendência a relacionar seu trabalho de cientista à sua convicção cristã mostra-se claramente na intrudução daquele que é considerado no atual meio acadêmico como sendo o seu principal trabalho: os Principia, onde após descrever como que maravilhado a existência e o movimento dos astros tal como se sabia na época, conclui:
"Este magnífico sistema do sol, planetas e cometas poderia somente proceder do conselho e domínio de um Ser inteligente e poderoso. E, se as estrelas fixas são os centros de outros sistemas similares, estes, sendo formado pelo mesmo conselho sábio, devem estar todos sujeitos ao domínio de Alguém; especialmente visto que a luz das estrelas fixas e da mesma natureza que a luz do sol e que a luz passa de cada sistema para todos os outros sistemas: e para que os sistemas das estrelas fixas não caiam, devido à sua gravidade, uns sobre os outros, ele colocou esses sistemas a imensas distâncias entre si."

o que demonstra o que para ele significa a ordem observada no Universo. Esta ordem liga-se notoriamente à sua descrição dos movimentos em termos de Leis bem determinadas, que valeriam universalmente, tal como suas famosas "leis do movimento": a lei da inércia, a definição de força resultante e sua ligação com a massa e aceleração e o princípio da ação e reação. É, de fato, espantoso que tais leis se apliquem desde o movimento eletrônico (ainda que atualmente reformulado pela Física Quântica), passando por fatos simples como "andar", até o movimento planetário e estelar. Então passa a conjecturar sobre a existência e essência desse "Ser inteligente e poderoso" a que se refere acima, descartando, inclusive, certas idéias materialistas que se parecem com as evolucionistas:
"A necessidade metafísica cega, que certamente é a mesma sempre e em todos os lugares, não poderia produzir nenhuma variedade de coisas. Toda aquela diversidade das coisas naturais que encontramos adaptadas a tempos e lugares não se poderia originar de nada a não ser das idéias e vontade de um Ser necessariamente existente."
para finalmente chegar à ligação entre aquele seu trabalho, os Principia, e Deus, identificando claramente os motivos que o levou a sistematizar e estudar suas descobertas acerca da Natureza:
"E dessa forma muito do que concerne a Deus, no que diz respeito ao discurso sobre ele a partir das aparências das coisas, certamente pertence à filosofia natural."


Em suma, parece-nos que Isaac Newton inseria-se numa espécie de círculo vicioso: Deus o inspirava a compreender a natureza por revelhar-lhe seu poder e inteligência; e ao compreender que a Natureza era totalmente regida por leis fixas e imutáveis, organizando o Universo com tal sabedoria, era levado a contemplar o Deus Criador dessa Natureza, tal como também Copérnico descreveu. Coincidência?

 

Bibliografia

Newton, Isaac (1687/1990), Princípios Matemáticos de Filosofia Natural, trad. Trieste Ricci [et al.], São Paulo: Nova Stella; USP. Clique aqui para ler a íntegra da introdução deste livro, cujos trechos foram citados nesta página.

Simmons, George F. (1987), Cálculo com Geometria Analítica, trad. Seiji Hariki, São Paulo: McGraw-Hill. A bibliografia de Isaac Newton assim como de outros grandes homens da ciência se encontra em um apêndice, ao final do livro.

White, Ellen G. (1900/1981), O Grande Conflito, Tatuí: Casa Publicadora Brasileira. Este livro descreve o surgimento do Movimento Adventista situando-o no desenvolvimento histórico do cristianismo desde a queda de Jerusalém em 70dC. A citação de Isaac Newton está no apêndice, remetido a partir da página 264 (cap. 15), sobre "Datas proféticas".

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